junho 15, 2020 0

Desde o dia 28 de março, quando Gusttavo Lima mudou a forma de se fazer música no Brasil após a suspensão dos shows e lançou a primeira live musical do país no YouTube, muita coisa mudou neste mercado. Aliás, nunca na história do Brasil a música deste país passou por tamanha transformação em tão pouco tempo.
O “boom” das lives já passou. A audiência, obviamente, caiu. Os empresários dos artistas não consideram como queda, mas sim uma readequação, porque, para o mercado, aquela gigantesca audiência não era real, era simplesmente um fenômeno que passaria. Era consequência de um movimento único da relação entre o público e os meios de comunicação, algo que jamais acontecerá novamente.
O que se viu, do dia para noite, foi um volume gigantesco d
e lives. Nos fins de semana, chegou-se a um número de 40 lives por noite. Algo surreal. As TVs foram diretamente atingidas com essas transmissões. Um comercial na TV Globo, que parou de produzir entretenimento inédito, custa cerca de R$ 300 mil, é exibido por 30 segundos, para mais de 20 milhões de pessoas, e só.
Veja alguns artistas que fizeram lives
 
Um artista de médio porte, cobra cerca de R$ 100 mil por um comercial que aparece diversas vezes em um transmissão de quatro horas e que ficará para sempre guardada no canal do artista como algo de grande relevância.
O que vai se ver daqui pra frente? Essa é a pergunta que o mercado da música se faz.
Novo mercado
A resposta é simples: as lives existirão para sempre. Surgiu um novo mercado. Não para todos. Mas é um mercado de lives empresariais que terá uma longa sobrevida, mesmo quando voltarem os shows com público. Esse novo formato de apresentação que agrada em cheio as empresas e principalmente um mercado on-line que surgiu do dia pra noite. A contratação do Dennis DJ por uma faculdade é um exemplo pontual. Instituições de ensino tiveram que se transformar radicalmente em pouquíssimo tempo.
Como eles vão chamar a atenção de um público que está solto na internet? Aliás, esta internet que ainda é um território desconhecido para a grande maioria desses novos anunciantes.
Mas é muito nítido perceber que todos os artistas aumentaram seus números. Mas alguns cresceram muito com as lives. Os grandes artistas ficaram gigantes. Grupos mais tradicionais de samba, duplas sertanejas com história, relevância e carisma e cantores com vasto repertório. Todos esses cresceram.
Artistas “regionais” alcançaram novos públicos. Alguns considerados pequenos chegaram a ter lives com audiência entre 30 e 40 mil pessoas simultaneamente. Números jamais alcançados na vida real.
Uma constatação meio óbvia: não dá para comparar artistas sertanejos com os demais. É injusto, é desleal. O mundo sertanejo vive uma realidade diferente, com números bem maiores que o restante da música. As lives deram um selo de qualidade ao mundo sertanejo que ficará pra sempre. Eles estão alguns passos à frente. Em tudo. É um fato.
As lives lançaram um novo mercado de uma forma impactante. Quem vai se dar bem? Quem inovar, quem se reinventar e quem descobrir parceiras. Surgiu uma nova forma de faturar, que não está ligada ao hit do momento. São outros fatores que valem mais agora. Não importa quem está bombando no Spotify. Vale mais o artista que se comunica melhor e, lógico, tem repertório. E tenho dito.

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