quinta-feira, 7 de junho de 2018

20% dos homens que fazem sexo com outro tem HIV

Em 12 cidades brasileiras, um em cada cinco homens que fazem sexo com homens (HSH) tem HIV. É o que diz um novo estudo realizado pela Universidade Federal do Ceará com financiamento do Ministério da Saúde. O termo homens que fazem sexo com outros homens (HSH) é usado na medicina para contemplar aqueles homens que não se identificam como gays, mas mantêm relações sexuais com homens e também precisam ser incluídos em campanhas de saúde pública.
As cidades analisadas foram Manaus, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Campo Grande, Brasília, Belo Horizonte, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Brasília teve a menor taxa de prevalência com 5,8% e São Paulo a maior: 24,8%.
O estudo foi feito em 2016 com 4176 participantes. Destes, um total de 3958 concordou em fazer o teste de HIV revelando que 17,5% tiveram resultado positivo para a infecção. Somados aos participantes que se declararam soropositivos, o estudo teve 18, 4 % dos participantes com HIV.
Dos participantes, 83% se declarou solteiro e 58% tinha menos de 25 anos. Segundo a pesquisa, nos últimos 10 anos, houve um aumento de novos casos de AIDS notificados entre os homens, especialmente aqueles com 15 a 19, 20 a 24 e 60 anos de idade e mais.
De 2006 a 2015, a taxa entre jovens de 15 a 19 anos mais do que triplicou (2,4 a 6,7 ​​casos / 100.000 habitantes) e entre os de 20 a para 24, dobrou (15,9 a 33,1 casos / 100.000). No mesmo período de 10 anos, os casos de AIDS entre HSH aumentaram de 35,3% para 46,2% em comparação com todas as categorias de casos de AIDS relatados entre os homens.
De acordo com o estudo, uma frase bastante comum entre os mais jovens participantes era: “AIDS já não me assusta mais”. Gerson Pereira, diretor substituto do departamento de HIV/Aids e hepatites virais do Ministério da Saúde, reconhece a dificuldade de “atingir” o público mais jovem, que não viveu os primeiros momentos da epidemia: “A gente sabe que o jovem de uma maneira geral não procura o serviço de saúde, para qualquer que seja a doença. Ele acha que não vai adoecer”. “Com relação a Aids, a gente tem observado que nesses 30 anos passamos de uma doença em que as pessoas morriam com 5 meses de diagnóstico para uma doença que hoje ninguém mais morre, se fizer um tratamento regular. Isso diminui o medo em relação a infecção”.
Para chegar até este público, Gerson acredita em investir em novo meios como aplicativos e redes sociais e principalmente retomar o trabalho de prevenção nas escolas com discussões de saúde sexual e reprodutiva falando em prevenção, diagnóstico e tratamento da Aids.
Ele acredita que não pode haver estigmatização na hora de falar sobre HIV e Aids em escolas: “Na hora que a gente for falar de prevenção, a gente tem que falar de prevenção para quem é hétero, para quem é homo… a prevenção tem que trabalhar todos os espectros independentemente da orientação sexual da pessoa”.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem atualmente cerca de 900 mil pessoas vivendo com HIV (0,4% da população), mas apenas 85% destas são casos notificados.
O estudo apresentado pela Universidade Federal do Ceará e publicado na revista científica “Medicine” coloca o Brasil ao lado de outros países em que há uma prevalência do HIV entre homens que fazem sexo com homens. Alguns fatores podem explicar o aumento da prevalência do HIV entre este grupo no Brasil. A falta de verba para ONGs especializadas e a pressão de políticos conservadores estão entre as possíveis explicações apontadas no estudo.
“Suporte crescente no governo brasileiro para a bancada da ‘bala, boi e Bíblia’, no mais conservador congresso na era democrática do Brasil, levou a uma regressão da agenda de gênero e sexualidade e apoio reduzido aos programas com foco nas necessidades dos HSH”, dizem os pesquisadores.
Fonte: G1

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